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Como identificar sinais de TDAH?

  • Foto do escritor: Daniel Barboza Salvador
    Daniel Barboza Salvador
  • 8 de out. de 2021
  • 4 min de leitura

Conhece alguém assim?

Lucas é uma criança que está sempre em movimento, correndo e subindo em todos os móveis. Está sempre derrubando objetos e até mesmo se colocando em risco ao se pendurar pela janela de um edifício ou atravessar a rua correndo sem olhar para os lados, de forma repentina. Na escola a professora sempre convoca os pais para falar sobre o comportamento inadequado de Lucas. Cansados, a professora briga com Lucas o tempo todo. E em casa, seus pais, exaustos, brigam com Lucas. Lucas parece não ligar mais para as broncas.


Carla tem muita dificuldade para fazer tarefas da escola. Em casa não consegue ficar sentada mais de 20 minutos e concentrada em uma tarefa escolar. Sua mãe já está exausta, devido aos inúmeros dias que batalha com sua filha para que ela faça ao menos uma tarefa. Em relação à casa, sua mãe sempre precisa pedir exaustivamente para ela fazer algo que pediu, mas Carla enrola muita mais e não começa a fazer. Quando sua mãe saí, por alguns minutos, Carla começa outra atividade: mexe no lápis, fica minutos olhando pela janela ou precisa ir ao banheiro urgentemente. E não começa a fazer a tarefa que precisa. Cansada, sua mãe briga e tem um conflito intenso.


Essa situação é parecida com a sua casa? Se sim, entenda que é um sinal de alerta. Porque o assunto aqui é Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Estes dois exemplos que contei aqui não definem o transtorno, visto que clinicamente há outros aspectos que precisam ser analisados por uma equipe de saúde mental. Ou seja, se seu filho ou sua filha se comportam assim, não conclua que eles têm TDAH. Mas que é importante você observar e considerar uma avaliação profissional. É que alguns sinais são mais evidentes e o diagnóstico fica mais fácil para ser fechado. Mas calma que existe tratamento.



O que é TDAH?

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, tem início na infância e seu prognóstico depende de muitos fatores.


Principais sintomas:

Dificuldade de atenção e concentração, ou seja, a criança tem dificuldade para concluir atividades iniciadas. Conseguem manter a atenção por pouco tempo, em uma única tarefa ou por algo que ele gosta muito (vídeo game, por exemplo). Mas o mais importante e identificar qual a atenção está mais prejudicada: atenção sustentada, atenção dividida, atenção alternada e atenção seletiva. É possível identificar quais a criança possui prejuízo e quais tem índice normal. Por isso há relatos de pais, no qual a criança se interessa e mantêm a atenção em determinadas atividades e se distrai em outras.


Comportamento impulsivo: há mudança repentina de comportamento ou mudança de atividade, sem uma construção contextual. A criança está olhando algo na calçada e de repente corre para atravessar a rua. Depois não consegue explicar o motivo deste comportamento. Ou então fala ou responde algo na sala de aula que surpreende a todos, pois está fora de contexto. Ou seja, a criança não controla seus impulsos. É possível identificar o grau de controle impulsivo que a criança tem capacidade e treinamento para isso, através de psicoeducação, por exemplo.


Agitação corporal: a criança é inquieta, levanta inúmeras vezes em sala de aula, muito diferente de outras crianças. As brincadeiras com outras crianças são inadequadas, sempre por serem muito agitada, afastando outras crianças e prejudicando o desenvolvimento social.


Precisa ficar claro que estes sinais não fecham um diagnóstico de TDAH, visto que é preciso investigar outras condições que podem causar tais sintomas, como deficiência intelectual, contexto escolar, contexto familiar, outras doenças ou tratamento em curso que tem como efeito colateral alguns desses sintomas, condutas de oposição, problemas emocionais da criança/adolescente.


E o TDAH tem outras complicações?

É importante ressaltar que é raro uma criança/adolescente ter o TDAH de forma isolada. Ou seja, é comum que os casos com TDAH apresentem outros problemas de saúde mental, chamadas de comorbidades. Aqui são alguns exemplos:

  • Conduta opositiva e agressiva: são aqueles comportamentos de rebeldia e com agressividade. Não obedecem as regras importantes na família e/ou na escola. Brigam com os irmãos e com outras crianças. Mentem para obter vantagens. Ficam até tarde na rua, além do horário permitido pelos pais. E chegam a ter problemas com a lei, devido a furtos ou dano ao patrimônio alheio.

  • Insegurança e falta de autoconfiança: as crianças/jovens que desenvolvem medos e inseguranças, principalmente em situações que dizem respeito ao desempenho escolar, mas sem se restringir a isso. No início, este problema chama menos a atenção, devido aos outros sintomas se sobressaírem.

  • Rejeição pelos pares: as crianças/adolescentes são rejeitados pelos seus colegas, devido ao comportamento inadequado. São brincadeiras ou comportamentos que atrapalham a dinâmica grupal ou que são impertinentes para os seus colegas.

Avaliação Neuropsicológica ajuda nos casos de TDAH?

Sim. A Avaliação Neuropsicológica é um exame que irá identificar os prejuízos cognitivos que a criança/adolescente apresenta. Assim, com este exame, o médico terá detalhado o perfil psicológico do paciente, qual o tipo de atenção está preservado e qual está prejudicado, o quociente intelectual (QI), a intensidade, se há outras complicações e prejuízos, como memória, capacidade de aprender informações novas, se há problemas emocionais que interferem no comportamento do paciente, o grau de impulsividade e capacidade de manter a autorregulação, as funções executivas (lobo frontal) que é responsável pelo planejamento, capacidade de decisão, controle inibitório, memória operacional e flexibilidade cognitiva.


A partir da avaliação, que usa de testes psicológicos, técnicas e intervenções, é possível identificar as maiores dificuldades da pessoa e construir uma conclusão a partir de um raciocínio clínico. Ao entender o funcionamento psicológico, entendendo como o cérebro desta pessoa funciona, é possível fechar um diagnóstico, elaborar as melhores terapias, medicações, métodos de ensino e como conviver melhor em família. Ainda, com este exame é possível, depois de tempo de intervenção, reavaliar, para identificar exatamente onde o tratamento ajudou, ou, se não ajudou, o que precisa mudar para conseguir um tratamento mais eficaz.


Uma criança/adolescente diagnosticado(a) com TDAH, sem uma avaliação multidisciplinar e principalmente, sem Avaliação Neuropsicológica, terá mais chance de ir pelo método da tentativa e erro. Ainda, TDAH não define quem a pessoa é. Cada um é diferente, independente de qualquer diagnóstico.


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Se você conhece alguém que precisa destas informações, compartilhe este post. Vamos ajudar, pois muitas pessoas não sabem desta informação.


E se você precisa de uma avaliação neuropsicológica, agende uma consulta comigo. Será uma satisfação atender você.



DANIEL SALVADOR

Psicólogo e Neuropsicólogo

CRP 6/120503


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