Existe depressão infantil? Principais dúvidas e respostas sobre o tema.
- Daniel Barboza Salvador
- 13 de out. de 2025
- 2 min de leitura
As crianças não estão fora do mundo em que vivemos. Há quem pense que crianças abstraem a realidade à sua volta e não tem capacidade de sentir determinadas emoções. A verdade é que crianças são capazes de sentir e de entender situações que nós não imaginamos. Então, se você já se perguntou se existe depressão infantil, a resposta é: sim, mas os sintomas são diferentes. Explico melhor a seguir.
O que pode gerar a depressão infantil?

O estudo das causas dos transtornos depressivos é multifatorial, podendo ter origem de fatores genéticos e fisiológicos, ambientais e temperamentais. Isso significa que familiares de 1º grau de indivíduos com transtorno depressivo maior têm de 2 a 4 vezes mais chances de desenvolver a doença, em relação à população geral. Já a herdabilidade é de aproximadamente 40%.
Quando falamos de fatores ambientais, as experiências traumáticas na vida da criança pode causar quadros depressivos. Já em relação ao temperamento, um fator de risco é a afetividade negativa.
Quais os sintomas da depressão infantil?

Alguns sintomas específicos para crianças menores de 12 anos são:
– Queixas somáticas;
– dor abdominal, cefaleia, náuseas, dores em membros inferiores;
– Choro fácil;
– Comportamento de roer unhas ou morder lápis, mutismo seletivo abrupto, maneirismos e tiques;
– Distúrbios do sono, como insônia, medo de dormir sozinho, pesadelos frequentes, terror noturno, sonolência excessiva;
– Enurese noturna;
– Recusa em ir à escola;
– Dificuldades escolares e queda do rendimento escolar;
– Agitação, irritabilidade, agressividade;
– Comportamento opositor.
Como a criança pode ser diagnosticada e tratada?

O diagnóstico da depressão, de forma geral, segue os critérios descritos no DSM – V, mas é importante avaliar seguindo os sintomas da faixa etária. Os sintomas podem ser identificados tanto pela família da criança, como pela(o) pediatra de confiança. Com a suspeita, é fundamental encaminhar a criança para uma psicóloga(o) ou neuropsicóloga(o) para o diagnóstico e tratamento específico.
Importante destacar que uma criança que já teve depressão possui mais riscos de apresentar novo episódio depressivo - até mesmo na vida adulta.
Aviso aos pediatras:

Aos pediatras, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) indica que o profissional deve investigar em toda consulta questões relacionadas com o quadro comportamental e emocional da criança e adolescente. Conversar com a criança e adolescente sobre seu estado de humor e sobre os seus sentimentos deve fazer parte da consulta, assim como a investigação de uma rotina inadequada ou de indicativos de estresse tóxico e fatores de risco para depressão e transtornos psiquiátricos.
Diante de uma criança em risco, deve ser instituído:
– organização da rotina de sono, com horário e tempo satisfatórios por idade;
– tempo e conteúdo de tela, de acordo com as recomendações por idade;
– brincadeiras;
– tempo qualitativo com os pais;
– orientações a escola;
– atividades físicas durante cerca de 60 minutos ao dia;
– atividades de lazer;
– técnicas de relaxamento ou “mindfulness”.
A SBP reforça que proporcionar um ambiente afetuoso, harmonioso, estimulante, com manejo comportamental equilibrado, brincadeiras e reforço positivo é fundamental para a recuperação clínica e prevenção de recidivas na infância.






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